Mão de obra: o gargalo do meio equestre

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Mesmo com a falta de comprometimento dos funcionários, algo que infelizmente impera no setor, os criadores de cavalos não devem desistir da rigorosa seleção da equipe

Dentre os principais gargalos do meio rural, um certamente atormenta a vida dos criadores de cavalos: a mão de obra – seja pela escassez, seja pela baixa qualidade da mesma. Antes de pensar nos profissionais que integrarão o time do seu haras faz-se necessário estabelecer algumas metas: definir os cuidados para com os animais; a seleção genética; o viés do criatório; a abrangência da atividade, e até o público-alvo a ser atendido.

Mesmo com a falta de comprometimento da mão de obra, algo que infelizmente impera no mercado atual, os criadores de cavalos não devem desistir da rigorosa seleção da equipe, optando por profissionais gabaritados. A turma do manejo, por exemplo, deve ter ampla experiência na área. Já os jovens talentos necessitam de boa vontade para aprender. Nos cargos mais específicos, que demandam boa formação técnico-científica, a ideia é valorizar os trabalhadores que tenham aptidão para estudar, crescer e evoluir. Além de seus currículos, devem ser observados rigorosamente aspectos éticos e morais, bem como a capacidade de trabalhar em equipe e a facilidade em obedecer à hierarquia, cada qual reconhecendo a sua função e os seus limites.

Em se tratando de atuação na área equestre, o que se propõe atualmente é que o responsável pela empresa (haras/criatório) tenha visão holística. Desta maneira, é importante a participação de vários profissionais que atuem em áreas correlatas. Estabelecidas tais premissas, deve-se fazer um estudo bem detalhado das atribuições de cada um dentro do todo. Feito isso, é desejável que já numa primeira entrevista sejam apresentados aos candidatos cronogramas e organogramas bem estudados para que os mesmos tenham ideia daquilo que os espera em relação à sua atuação.

Para que o trabalho funcione é necessário que se estabeleça um sistema de referência e contra-referência, com a finalidade de deixar claro a quem cada indivíduo deve se reportar. Essa regra deve ser estabelecida tão logo o trabalho seja iniciado, tendo reuniões precedidas de avaliações para que problemas de fácil resolução não se transformem em situações insustentáveis, atrapalhando o processo. Ao final da caminhada, pretende-se que a equipe profissional tenha comprometimento e atue em sintonia, atingindo os objetivos.

Sou a favor de se instituir a Meritocracia, premiando os melhores funcionários, aqueles que se dedicam ao ofício com maior intensidade e comprometimento. O foco é criar soluções que sejam fundamentadas na melhoria de três pontos para o criatório: desempenho, competitividade e lucratividade. E, acima de qualquer viés econômico, a criação de equinos demanda pessoas que tenham respeito e amor pelos animais, logo, no processo de seleção da equipe os trabalhadores que tiverem tais características sempre terão preferência em detrimento aos demais.

Jornalista e leiloeiro rural. Especializado em Agronegócio, com pós-graduação em Marketing e Comunicação Publicitária.
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