A marcha dos muares

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Veja uma abordagem simplificada acerca daquilo que se preconiza como o bom andamento do muar e conheça os apontamentos técnicos dentro de uma competição

Para a minha segunda coluna no Portal InfoHorse, optei por discorrer sobre o andamento dos muares, mais especificamente em relação ao movimento marchado. De maneira conceitual, a marcha é um andar natural, espontâneo, avante (picada ou batida), com deslocamentos alterados dos bípedes (diagonal ou lateral), intercalados com momentos de tríplice apoio. Nas provas participam tanto animais machos como fêmeas. Saiba mais:

Bruna Velozo
Dalva Marques, treinadora e jurada, aborda questões do julgamento em muares marchadores
Dalva Marques, treinadora e jurada, aborda questões do julgamento em muares marchadores

Durante as competições de marcha são avaliados os seguintes quesitos:
*Gestos de marcha – a qualidade dos movimentos de anteriores,  posteriores e diagrama de apoios, característicos da marcha. Prioriza-se o movimento rolado dos membros anteriores e posteriores, flexionados na medida certa, sem exageros nas articulações para movimentar os membros. Nota-se nos anteriores a definição de um semi-círculo, apresentando movimento avante, com energia e total sintonia com os posteriores. Jarretes com movimentos suaves, progressão horizontal, na medida – nem rasteira, nem elevada.

*Comodidade – Qualidade na movimentação, fazendo com que o animal mantenha seu tronco estável, sem oscilações, para que não transmita nenhum impacto ou desconforto ao cavaleiro – nada de “movimentos parasitas”, lateral ou frontal. Animal levemente apoiado na embocadura, com bom temperamento de sela, tendo disposição para andar, equilibrado nas trocas de apoio, sempre com muita franqueza.

Bruna Velozo
Qualidade na movimentação, fazendo com que o animal mantenha seu tronco estável, sem oscilações
Imagem que evidencia a qualidade na movimentação, uma vez que o animal mantém o tronco estável, sem oscilações

*Estilo – Nobreza nos movimentos, total equilíbrio, harmonia, elegância e, sem dúvida, energia do começo ao fim da prova.

*Rendimento – Usa-se um menor número de passadas para percorrer uma distância determinada. Característica indispensável para qualquer animal de sela: bom rendimento, com atitude, progressão e equilíbrio.

Silvio Parizi
Regularidade - a mesma toada do início ao fim
Regularidade – a mesma toada do início ao fim da prova (ritmo e velocidade)

*Regularidade – Expressa pelo animal de marcha, é uma qualidade para se manter no mesmo ritmo e velocidade, sem alterar os demais quesitos. Mesma toada do início ao fim.

*Resistência –
O animal deve manter o mesmo ritmo, desempenho e energia durante o julgamento, mostrando-se íntegro no decorrer da prova.

*Equipamentos – É de livre escolha do cavaleiro o tipo de embocadura e o uso de esporas, desde que usados adequadamente e sem causar dano ao animal.

*Itens desclassificatórios – Animais de má índole, que mordam, pulam, escoiceiam e não permitam serem montados; qualquer tipo de sangramento causados por esporas, barbelas e chicotes; problemas respiratórios, e claudicação (manqueira).

Em resumo, fiz uma abordagem simplificada sobre o que se preconiza como a boa marcha do muar, bem como apontei os pontos negativos dentro de uma competição, sob a análise técnica do jurado. Reitero que o mercado do muar marchador está em franca expansão, haja vista que muitos negócios são feitos nas próprias copas de andamento e nos poeirões, além de vendas constantes em leilões especializados. Reafirmo que um bom muar leva o homem ao progresso!

Até a minha próxima coluna! Deus os abençoe! :)

Dalva Marques é treinadora de cavalos e muares, além de jurada de competições de marcha. Junto ao marido, o também cavaleiro, Silvio Parizi, ela comanda o Rancho Bigorna, em São Sebastião da Grama/SP.
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7 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns à família do Rancho Bigorna! Sra. Dalva e Silvio, excelente comentário sobre marcha; gostei de ler aqui no Mato Grosso. Sempre que puderem, façam mais comentários para que possamos ir aprendendo. Trabalho admirável!

    • Muito obrigada! Realmente é muito bom falar sobre aquilo que gostamos… Em breve, com certeza, estaremos falando mais sobre o apaixonante mundo dos equinos e muares. Deus o abençoe!

  2. Parabéns Dalva pela reportagem! Admiro seu trabalho e caráter nos julgamentos. Muito me entristesse, e acredito não ser apenas meu este sentimento, quando vemos em alguns julgamentos falta de critério e até escolhas tendenciosas. Gostaria de ver um padrão de julgamento para os muares, assim como acontece no Mangalarga Marchador, por exemplo. É sabido que existem divergências constantes no nosso meio de muladeiros e associações, mas em meu ver a marcha é marcha e ponto final. Tem muito juiz que nem montar a cavalo sabe e está julgando festas por aí. Mas isso é outro assunto… Mais uma vez parabéns e sucesso!
    Jefferson – Haras Recanto da Serra – Ouro Branco/MG

  3. Parabéns Dalva por suas explanações técnicas! Cada vez mais, certificamo-nos de que a sua indicação como a primeira juíza da ABPMEN (Associação Brasileira de Provas de Muares e Equinos de Marcha) foi acertada.
    Com todo respeito, dirijo-me ao Sr. Jefferson Souza, do Haras Recanto da Serra, em Ouro Branco/MG, para lhe informar que os critérios de julgamento colocados no texto pela Dalva são exatamente os quesitos utilizados pela ABPMEN. Tais itens norteiam a avaliação do nosso quadro técnico de juízes nas provas de marcha. Sendo assim, talvez fosse interessante o senhor identificar as provas onde viu escolhas tendenciosas, bem como apontar as divergências constantes no meio dos muladeiros e das associações. Escrevo esta mensagem com a intenção de elucidar cada vez mais a seriedade e a idoneidade do trabalho das pessoas que são apreciadoras e participantes das provas de marcha, principalmente usando muares, e trabalham em prol do crescimento do mercado.
    Obrigado.

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