A vacinação nos pets: tire as suas dúvidas

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Acredite que a prevenção é sempre o melhor, uma vez que podemos evitar que os nossos amiguinhos desenvolvam doenças que tragam sequelas a eles ou até os levem à morte

A minha nova coluna da seção Meu Pet aborda um assunto bastante discutido, mas que ainda gera muitas dúvidas na cabeça de quem tem cachorro ou gato. Com tantas vacinas disponíveis no mercado, os tutores não recebem as orientações corretas sobre a vacinação de seus animais. Neste sentido, elaborei um texto que visa a esclarecer os pormenores do tema, sendo que o ponto mais importante é entender como funciona a vacina. Leia:

Há uma grande discussão a respeito da quantidade de vacinas aplicadas em cães e gatos. Algumas pesquisas sugerem que não existiria a necessidade de aplicações anuais de todas elas. A estimulação constante do sistema imunológico junto a inoculação de substâncias presentes nos veículos das vacinas provocariam o que chamamos de “vacinoses”, cujos sintomas são queda de imunidade transitória, problemas de pele, febre, letargia e alergias. O ideal seria que os protocolos vacinais fossem individualizados e as mensurações de anticorpos no sangue dos animais determinadas para saber a necessidade de reforços.

Para que o organismo de cães e gatos se torne protegido contra determinadas doenças, o mesmo tem que ter anticorpos contra tais agentes (vírus, bactérias, fungos etc). Para isso, precisam receber estímulos: o animal pode entrar em contato direto com os agentes, podendo ficar doente ou não, ou pode receber uma vacina, inoculando microrganismos atenuados, inativados (mortos) ou pequenos pedacinhos deles capazes de fazer com que as suas células de defesa interpretem como uma ameaça e, consequentemente, comecem a produzir anticorpos contra o que consideram um perigo.

Foto cedida
Tais quais os cães, os gatos também devem ser vacinados e receber os reforços anualmente
Tais quais os cães, os gatos também devem ser vacinados e receber os reforços anualmente

Atualmente, existem diferentes tecnologias de produção das vacinas, bem como há empresas sérias e idôneas que fazem extensas pesquisas e diversos estudos, visando a produzir vacinas cada vez mais seguras e eficazes.

No mercado de vacinas para cães existem disponíveis no Brasil inúmeras opções: V10 ou V8, conhecida como polivalente, que é a vacina que irá proteger contra cinomose, parvovirose, hepatite infecciosa, doença respiratória por adenovírus tipo 2, coronavírus, parainfluenza e 04 tipos de leptospirose. A vacina antirrábica protegerá contra a raiva; a de giárdia contra a giardíase, e a de gripe contra uma bactéria chamada bordetela. Ainda existem vacinas contra a leishmaniose canina e contra dermatofitose (fungo).

Apesar de os donos acreditarem que o melhor seja vacinar com todas as vacinas, anualmente, quem detém tal conhecimento e definirá quais e com qual frequência serão administradas é o médico veterinário. Primeiramente, o profissional avaliará se o cão está saudável para receber a vacina naquele momento, haja vista que o animal deverá estar saudável para que as suas células de defesa estejam aptas a produzir os anticorpos. Por isso que os pets doentes devem primeiramente ser tratados para só então receberem as doses.

Foto cedida
Carteira de vacina - documento para controle e identificação
Carteira de vacina – documento para controle e identificação

Outro ponto importante é a escolha das vacinas. O desafio ambiental também tem relevância, como local onde mora e frequenta, além da idade e da imunidade. Como exemplos recorrentes, animais que não frequentam áreas endêmicas para leishmaniose, normalmente não recebem essa vacina. Cães que estão debilitados, enfrentando doenças crônicas ou graves, muitas vezes também não são vacinados. Os riscos e benefícios da imunização devem ser sempre avaliados de forma individual.

Hoje em dia, as vacinas disponíveis para os pets não são capazes de provocar a doença para a qual se está imunizando, entretanto, apesar de raras, reações adversas podem acontecer, como pequenos nódulos no local de aplicação, febre, diarreia, vômitos, alergias e, mais raramente, choque anafilático. Infelizmente não tem como prevê-las e depende de cada indivíduo. Mesmo assim, o custo-benefício vai a favor da vacinação, pois as reações são infrequentes e, na maioria das vezes, brandas.

O mais importante é que a imunização seja realizada por médico veterinário, que poderá identificar alguma reação adversa e tratar do animal. As clínicas veterinárias dispõem de vacinas de qualidade, as quais são armazenadas nas temperaturas corretas, em geladeiras específicas, entre 02 e 08 graus, e que são retiradas para o ambiente apenas na hora do uso. Tudo isso para manter as suas propriedades e reduzir as chances de falhas vacinais.

Foto cedida
Geladeira de vacinas - controle da temperatura
Geladeira de vacinas – controle regular da temperatura

No geral, as vacinas são reaplicadas anualmente, entretanto, em alguns casos podem ser mais espaçadas, de acordo com o tipo e com a duração de seus anticorpos no organismo. Os cães iniciam a vacinação aos 45 dias de idade e os gatos aos 60, com a polivalente. Quando estão iniciando o esquema, eles normalmente necessitam receber um reforço ou dois, dependendo do tipo de vacina após 21 dias. Depois, são realizados reforços anuais porque os anticorpos normalmente vão decrescendo ao longo dos meses.

Foto cedida
Os cãezinhos devem começar o esquema vacinal logo aos 45 dias de idade
Atenção – os cãezinhos devem começar o esquema vacinal logo aos 45 dias de idade

Realizando a vacinação de forma adequada, prevenimos doenças, as quais podem levar os nossos pets a desenvolverem sequelas para resto de suas vidas ou até matá-los. Por isso que prevenir é sempre o melhor remédio! Consulte um médico veterinário! :)

Segue abaixo tabela com esquema de vacinação para cães e gatos:
Capturar*Doenças de distribuição global, com risco de óbito, que não tenham tratamento eficaz e/ou potencial zoonótico (doenças de risco para os humanos). 
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Ainda são preconizados em bula os reforços anuais dessas vacinas apesar de muitos estudos científicos comprovarem que a proteção é muito mais longa.

***SIM em áreas endêmicas para a doença.

Médica veterinária - graduação (2003), residência e mestrado pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu; Área de atuação em Anestesiologia, Acupuntura e Terapias complementares.
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