O meio do cavalo e o Marketing Social

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A bandeira do bem-estar animal é levantada com esmero, força e amor pelos criadores, que ainda investem na preservação do verde e da água

Os bons tratos e os cuidados para com os animais são premissas dentre os homens do Agronegócio brasileiro, especialmente os da indústria equestre. É revoltante ver o setor sendo atacado por políticos corruptos e pseudoativistas, que usam de meios espúrios para desqualificar uma atividade que é modelo para países de primeiro mundo.

Temos que valorizar a paixão dos criadores de cavalos e dos pecuaristas, que defendem o bem-estar animal, bem como devemos apoiar os agricultores, que investem altas somas no desenvolvimento de tecnologias que visam a aumentar a produtividade num menor espaço de terra, com foco na preservação do verde e da água. Esta seara é o orgulho nacional, a parte que funciona do combalido Brasil. 

Na Era da Responsabilidade Social e dos investimentos no Terceiro Setor, os criadores de cavalos têm a oportunidade de formar novos profissionais (oriundos das classes pobres). Isso é pertinente, pois a baixa qualidade da mão de obra é um dos gargalos do setor.

A pujança do Agronegócio brasileiro parece infindável, mesmo com as desastrosas políticas agrícolas, que não mantêm ações coerentes a cada governo que assume o poder. Ah, se a máquina pública fosse enxuta e funcionasse (ou pelo menos não atrapalhasse tanto)…

A indústria do cavalo cresceu em torno de 12% ao ano na última década. Em 2006, o faturamento foi de R$ 7,5 bilhões e, em 2015, saltou para R$ 16 bilhões. A Equinocultura já é maior do que diversas indústrias primárias, tais quais, Feijão, Trigo, Laranja e Algodão. O setor emprega seiscentas mil pessoas diretamente e mais de três milhões indiretamente. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), existem 5,5 milhões de equinos no Brasil (quarto maior plantel do mundo), atrás somente de Estados Unidos (9,5 milhões); China (6,8 milhões), e México (6,3 milhões).

Dados do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) apontam que o rebanho bovino verde-amarelo tem cerca de 200 milhões de cabeças, o maior do mundo. Os animais estão espalhados em 170 milhões de hectares de terras, do Oiapoque ao Chuí, uma vez que a Pecuária é a única atividade que está presente em 100% dos municípios brasileiros. O país é o segundo maior produtor de carne bovina do mundo (09 milhões de toneladas), ficando atrás apenas dos Estados Unidos. É líder em exportação, com saldo positivo de US$ 6 bilhões/ano, e emprega mais de sete milhões de pessoas.

Marcelo Pardini
A indústria do cavalo é uma potência que movimenta mais de R$ 16 bilhões por ano
A indústria do cavalo é uma potência que movimenta mais de R$ 16 bilhões por ano

Até mesmo as percepções mais renitentes precisam sofrer revisões periódicas, uma vez que o mercado é global e as novas ideias precisam ser incorporadas ao negócio. Como o momento sócio-político-econômico do país demanda atenção redobrada, faz-se necessário superarmos as diferenças, quebrando paradigmas. O Brasil que dá certo. Assim pode ser definido o mercado agropecuário nacional. Um setor sério, idôneo, que se autorregula, haja vista que serve de modelo em produtividade e desempenho ao resto do mundo, inclusive, sendo referência para países desenvolvidos.

É urgente a padronização das ações em prol do bem-estar animal, principalmente em relação às cadeias produtivas. Isso envolve códigos morais e éticos. Em se tratando de provas equestres fica evidente que não há maus tratos. Falo com a propriedade de quem vivencia este meio desde a infância. Sempre ressalto que o cavalo é o melhor amigo do homem (mais sincero até mesmo do que o cachorro). Quando não gosta de você, ele murcha a orelha, dá um chega pra lá com a cabeça e até escoiceia. Mas se gosta de você, aquele ser enorme, de mais de 500 quilos, torna-se um parceiro fiel, entregando-se totalmente à relação. Como sei disso? Há centenas de anos o homem aprendeu a se comunicar de diversas formas com os equinos – via gestos, sons e sinais.

Cada vez mais novas formas de diversão, entretenimento, esporte e lazer compõem a vida “out office” de homens e mulheres das metrópoles. Por isso, comunicar-se bem com quem chega ao mundo do cavalo é fundamental. O foco é o relacionamento, por isso, o alto contato é tão importante quanto à alta tecnologia. Engana-se quem pensa que o mercado equestre seja excludente, dominado por abastados. Pelo contrário, a base é formada por pequenos empresários e profissionais liberais, sendo muitos destes oriundos dos grandes centros urbanos. O motivo principal deste envolvimento? O amor pelos animais!

Tenho diversos amigos que comprometem boa parte de seus ganhos mensais com os equinos, pelo simples fato de tratarem bem o animal que a família toda tanto ama. Sem falar na Equoterapia, disseminada em diversas regiões do país, trabalho que tem o cavalo como agente principal no tratamento de diversos distúrbios e doenças do homem.

Ressalto que o meio do cavalo é um excelente formador de caráter para as crianças. Nas provas, a meninada lida com pessoas de diferentes etnias, credos e classes sociais: aprende sobre compreensão e respeito. Nos campeonatos, o jovem assimila derrotas e vitórias, trabalhando a aceitação e a humildade. E, sobretudo, reconhece limites – os próprios e os do seu amado companheiro de quatro patas. Os meus aplausos ao meio rural!

Fonte:
A Bíblia do Marketing, Kotler, Philip; Keller, Kevin Lane (Ed. Pearson Education Brasil, 2007).

Jornalista e leiloeiro rural. Especializado em Agronegócio, com pós-graduação em Marketing e Comunicação Publicitária.
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