A Estação de Monta

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Bom planejamento e manejo adequado, tendo auxílio de médico veterinário especializado, são fundamentais para se chegar a resultados positivos na Reprodução equina

Você já ouviu falar em “Estação de Monta”? Trata-se de o período pré-determinado para o acasalamento entre garanhões e éguas. É a primeira medida a ser implantada num haras que tenha interesse em alcançar elevada qualidade na sua produtividade. Para os equinos, a luz está diretamente associada à Reprodução. Como na Primavera os dias são mais longos, ou seja, têm maior luminosidade, as éguas tendem a “ciclar”. Por isso, esse intervalo de tempo também é conhecido como “Estação Ovulatória”.

A temperatura do ambiente e a nutrição também influenciam na ovulação das éguas. O ciclo pode atrasar caso o clima esteja muito frio ou quente. As fêmeas que recebem dietas ricas em proteína exibem aumento da secreção de FSH (hormônio da fertilidade) e ovulam de 03 a 06 semanas mais cedo do que as submetidas à alimentação de baixa qualidade.

É importante que o criador fixe no calendário do haras a entrada da Primavera para dar início à Estação de Monta. Desta forma, os nascimentos acontecerão no início do Verão seguinte e em datas bem próximas, período em que as pastagens são mais ricas e o clima ameno ajuda na sobrevivência e no posterior desenvolvimento dos recém-nascidos.

Fagner Almeida
As qualidades do bom raçador são transmitidas à sua progênie
Através das biotecnologias da Reprodução espera-se que as qualidades do bom raçador sejam transmitidas à sua progênie

Formas de cobertura:
– A campo: o garanhão fica solto com as éguas, determinando ele mesmo a frequência das montas. É a mais natural e, obviamente, não depende de conhecimento ou ajuda humana para ser levada a termo. No entanto, ela praticamente não é utilizada na criação intensiva de cavalos, limitando-se às raças que ainda vivem em estado semisselvagem.

 Em piquete: consiste em soltar a égua num piquete pequeno e depois conduz o garanhão até ela. Os animais serão separados novamente assim que a cobertura tiver sido realizada. Esta pode ser uma boa opção quando as pessoas envolvidas não têm experiência na condução de garanhões durante o ato da monta. No entanto, é importante que ambos os animais sejam experientes e que a égua esteja realmente em fase de aceitação do macho, pois, caso contrário, ela pode dar coices, vindo a machucar o reprodutor.

 À mão: é a mais utilizada nos haras. Nela, a égua é contida com cabresto e o garanhão é conduzido até a mesma, com uma guia ou corda longa. É o método mais seguro quanto à prevenção de acidentes, porém, exige bastante experiência da pessoa que conduz o reprodutor. Devemos evitar que a cobertura se torne um “evento”, com a presença de espectadores curiosos e barulhentos, que deixarão os animais nervosos e até agressivos. Recomenda-se reduzir o número de pessoas presentes ao mínimo indispensável, sendo obrigatório que elas se comportem com o máximo silêncio e tranquilidade.

 Coleta de sêmen e Inseminação Artificial: a técnica oferece grandes vantagens ao criador, como, por exemplo, maior número de nascimentos de descendentes por ano, trabalhando o processo de seleção da melhor genética do próprio haras e até de outros criatórios. Para realizar a coleta, o garanhão monta numa égua no cio ou num manequim apropriado, tendo todos os cuidados para evitar que os animais se machuquem. O sêmen é coletado, através de uma vagina artificial, e o material é posteriormente utilizado a fresco, resfriado ou congelado. O sêmen a fresco, cujo transporte tem bastante importância para o êxito da Inseminação Artificial, uma vez que a dose espermática é diluída em meios específicos e colocada em caixas de transporte apropriadas, tem viabilidade média entre 24 e 48 horas. Já o sêmen congelado é utilizado nos casos de longa distância, sendo transportados em palhetas fracionadas num botijão de gás Nitrogênio.

A Reprodução equina é tão difundida no Brasil, sendo uma das melhores do mundo, que devido às recentes pesquisas, as novas biotecnologias já permitem até a escolha do sexo do embrião. A técnica ainda não tem o amplo sucesso do que é visto no mercado bovino, por exemplo, mas já apresenta crescimento.

Bom planejamento e manejo adequado, tendo auxílio de médico veterinário especializado, são fundamentais para se chegar a resultados positivos na Reprodução equina. Por isso, é sempre muito importante consultar um especialista no assunto para que as taxas positivas ocorram de acordo com as nossas expectativas. E, depois de 11 meses de gestação, é só aguardar para brindarmos novas vidas e termos alegrias nos piquetes-maternidades.

Até a semana que vem, com mais cavalos em nossas vidas! :)

Flávia Raucci Facchini é Diretora de Marketing do Haras Três Rios, criatório de cavalos da raça Mangalarga, localizado em Itatiba/SP, com cerca de 50 anos de tradição.
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